Consultoria & Governança
18 out 2019

Quer se transformar em um executivo do agronegócio? Veja o que fazer e como se preparar para fazer a diferença

Você já pensou em ocupar um cargo de liderança no ambiente de fazendas da sua família?

Antes de qualquer coisa, tenha em mente que é preciso ter sabedoria e humildade para liderar. Afinal, as pessoas possuem personalidades distintas, e cabe ao líder ser capaz de mover sua família e equipe através de desafios, para que transformações e crescimento aconteçam no negócio familiar.

Quase sempre pessoas com formação no agronegócio, com paixão pelo trabalho no ambiente rural, procuram desenvolver e atualizar conhecimentos específicos sobre a parte produtiva, e isso quase sempre é mais prazeroso uma vez que está aí a essência do que escolhemos para as nossas vidas.

De todo modo, se você almeja alcançar um cargo de liderança e fazer a diferença, deverá também buscar conhecimentos em áreas onde as universidades de ciências agrárias normalmente não atuam. Deverá, por exemplo, desenvolver seu lado mais humano, aprender a lidar com pessoas e saber a melhor maneira de falar com elas. É fundamental buscar estudos e leituras sobre gestão de pessoas, como lidar com desafios e como se portar diante de situações de estresse e pressão, pois você será cobrado nestes pontos.

Jovens na faixa etária de 20-25 anos, candidatos a sucessores, são pessoas que estão se inserindo no mercado de trabalho após alguns anos de preparação e estudo sobre agronegócio. Recém-formados em boa parte dos casos, ávidos por trabalho e mudanças, devem ter claro em mente que ainda não estão preparados para liderar todas operações do ambiente familiar, e que a geração de cima ainda é a mais preparada para estar à frente dos negócios.

Para que o sucessor se prepare para liderar o negócio familiar, aos 35-40 anos, daremos algumas dicas de bons hábitos para um melhor desenvolvimento pessoal e profissional. Já que o fato de ser filho do dono não te dá certeza da continuidade do legado familiar, gerado pelas gerações anteriores.

Então vamos lá:

• Conheça pessoas e faça relacionamentos duradouros
Trabalhe em empresas do mercado no início da carreira, conheça as diversas regiões produtoras do país, visite muitas fazendas e faça um bom networking. Conforme Jim Rohn, sempre tenha a sua volta pessoas que sabem mais do que você, assim será forçado a crescer e a se desenvolver ainda mais.

• Estude assuntos desconfortáveis e não ligados diretamente ao agro
Pessoas do agronegócio naturalmente buscam assuntos de seu interesse e gosto, assuntos de “dentro da porteira” como dizemos. Porém, são os temas novos considerados, muitas vezes, “chatos”, que nos ajudam crescer e aprender mais, principalmente, quando o assunto é gestão. Use 10% do seu dia para este aprendizado e aprofunde seus conhecimentos sobre finanças e gestão de pessoas, por exemplo.

 Crie o hábito da leitura
Leitura constante apura sensivelmente o conhecimento e refina o vocabulário, proporcionando rápido incremento no seu nível de argumentação em discussões, além da evolução intelectual. Tente se colocar a meta de ler um livro por mês, e varie entre temas atuais, conhecimento específico e desenvolvimento pessoal.

• Seja otimista
Pense em coisas positivas, seja sempre otimista. Deixar de reclamar e usar este tempo para coisas produtivas, que deixem sua cabeça mais leve e relaxada, vão te manter mais inspirado e feliz para seguir seus projetos. Filantropia e o hábito de ajudar pessoas também ajudam a trabalhar a autoestima e melhora a saúde mental.

• Exercite sua liderança
Desde jovem busque a iniciativa de projetos, seja na universidade, no grupo de amigos, na propriedade rural, no trabalho, enfim … tome a frente, assuma riscos e aprenda com os erros. Os seus erros e acertos no início da carreira é que vão te preparar, dar maturidade e te transformar em uma pessoa melhor e mais preparada para um “mundo de negócios” que te espera à frente.

Enfim, para buscar a transformação na sua vida, que inclua assumir as ações de uma propriedade rural ou de um projeto familiar, recomendamos seguir estas dicas, além de continuar com todo o aprendizado técnico, acompanhando a evolução nas questões produtiva e econômica dentro do ambiente familiar de negócios. Deste modo, você estará preparado para assumir a liderança, agregando valor ao legado e ao patrimônio familiar. Você terá todas as condições de tornar esse ambiente mais rico, longevo e saudável para todos.

Agora, confira a explicação do Daniel sobre o assunto:

18 out 2019

Holding Patrimonial, uma visão prática para famílias do agronegócio

A criação de uma Pessoa Jurídica (PJ) para a gestão e proteção de patrimônio de famílias do agronegócio ainda é pouco explorada, mas de vital essencialidade para a maioria dos casos. Nosso foco é comentar de maneira simples e prática este tema, como ferramenta dentro do sistema de gestão de fazendas. O convite aqui é que você use os próximos 5 minutos para desmistificar o assunto.
O tema está muito demandado no ambiente agro, mas percebemos ainda muitas famílias com desconforto na discussão do tema HOLDING PATRIMONIAL. Se é o seu caso, não se preocupe, pois estimamos que mais de 70% das famílias proprietárias de terras estão na mesma situação que você. Na maioria das vezes, essa “distância” dá-se em razão da falta de conhecimento ou de informações sobre o tema, além do receio de mudanças e também pela escassez de profissionais especialistas (seja o advogado da família ou o contador etc.) para esclarecer as dúvidas sobre esse recente assunto. Todavia, para aqueles que objetivam o sucesso e atualização de seu negócio no ambiente agro, esses fatores não podem servir de barreira para o enfrentamento do problema, uma vez que o esclarecimento dessas dúvidas se torna inevitável ante a importância que o assunto alcança atualmente.

Com breves informações, você perceberá que a HOLDING PATRIMONIAL no agronegócio se torna de fácil compreensão para as famílias do campo. Isso porque a holding nada mais é do que a constituição de uma pessoa jurídica detentora do patrimônio de uma família, para a qual os proprietários rurais transferem seus imóveis (pode-se incluir também os imóveis urbanos, cotas de outra sociedade, veículos…) com base nos seus valores históricos, declarados na Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física. Esses imóveis passam a integralizar o capital social da sociedade e os proprietários, agora sócios, em troca, recebem cotas ou ações da holding.

A criação dessa holding possibilita um planejamento tributário, sucessório e também uma blindagem do patrimônio social. Tudo isso de maneira totalmente lícita, nos termos da legislação vigente.

Um exemplo clássico de benefício tributário que temos experimentado com bastante frequência no meio rural, está na hipótese do falecimento do patriarca/matriarca que deixa a fazenda como herança. Se o imóvel a ser transferido aos herdeiros estiver em nome da pessoa física, eles terão que arcar com o pagamento do ITCMD de 4% ou mais (conforme o estado da federação onde está localizado o bem), que incidirá sobre o valor de mercado do imóvel rural (de acordo com a Declaração do Imposto Territorial Rural ou pauta fiscal). No caso de constituição da holding, quando ocorre falecimento, as cotas ou ações serão transferidas aos herdeiros, e o ITCMD a ser pago incidirá, não sobre o valor de mercado dos imóveis, mas sim sobre o valor histórico do bem, o que acarreta uma significativa economia tributária. O mesmo ocorre no caso de doação em vida dessas cotas.

Nesses casos, o beneficiado não passará a ser dono da fazenda, mas sim detentor de cotas daquela pessoa jurídica (holding) dona da fazenda e isso impede situações imprevisíveis como aquelas em que um dos herdeiros, por exemplo, resolve vender sua parte na fazenda, vindo a prejudicar todo o grupo familiar; isto porque, o que lhe será permitido vender, são suas cotas.
Além disso, a holding patrimonial também serve para a redução dos tributos incidentes na produção rural. Pode ser celebrada, por exemplo, uma parceria rural entre a pessoa jurídica/holding (dona da fazenda) e os produtores pessoas físicas, o que também ocasionará significativo benefício fiscal.

A constituição da holding ainda se presta, através da criação de regras a serem observadas pelo grupo, a disciplinar as relações jurídicas entre os sócios, o que traz reflexos positivos na blindagem e administração do patrimônio social, na conduta dos sócios e, consequentemente, na governança e sucesso do negócio familiar.

A sucessão familiar, que se trata de outro ponto de suma importância e que é preocupação no dia a dia de muitas famílias do agronegócio, também pode ser regulada quando da criação da holding. Por meio da estipulação de regras preestabelecidas e com planejamento, o árduo processo sucessório torna-se um acontecimento natural e organizado, fazendo com que o “passar do bastão” ocorra sem desgastes e prejuízos ao grupo familiar.

18 out 2019

Já imaginou poder “deixar de perder” 8% do seu patrimônio rural?

“Imagine você ‘entregando’ 4%, 6% ou até 8% do seu patrimônio (em possíveis doações morte de propriedades rurais)?”

Esta frase marcante e muitos outros assuntos importantes para quem possui uma empresa rural foram abordados no bate papo com Daniel Pagotto, sócio proprietário da Tratto Consultoria com o pessoal da SCOT Consultoria. Além disso, ele comenta sobre a sua presença no Encontro de Confinamento da Scot Consultoria, que ocorreu nos dias 5 a 7 de abril, em Ribeirão Preto-SP e Barretos-SP.

Confira a entrevista na íntegra:

Scot Consultoria: Gostaria que você falasse sobre o que está preparando para o nosso Encontro de Confinamento e Recriadores?

Daniel Pagotto: Agradeço novamente ao convite, ano passado, no Encontro dos Encontros, falei sobre o tema e agora, em 2017, trabalharemos este assunto de uma maneira um pouco diferente, porque estamos criando uma teoria de que, antes de qualquer coisa, os membros das famílias precisam conversar entre si e criar regras. Então, se não existe uma criação dessas regras e controles, com toda a família integrada nisso, pouco irá importar o ambiente financeiro e os demais aspectos, porque o legado familiar e a continuidade daquele grupo ainda não estão alinhados e definidos.

Fazendo uma analogia, estamos criando uma teoria que abordará esse assunto como se fosse uma doença a ser tratada. Por exemplo, no ambiente financeiro, o pai diz “meu filho não entrega as finanças do jeito que eu imagino”, e, nós mostramos: “você combinou isso com ele”? Então, tratar o problema do ambiente financeiro é, na verdade, o sintoma, ou seja, é a “dor no joelho”, que eu trato cuidando das finanças, fazendo um relatório, comprando um software. Com isso, você só está acabando com a dor pontual. A cura do negócio estará mesmo na discussão familiar, que é muito mais ampla e precisa ser feita antes da discussão de todos os outros assuntos. Por isso, levaremos esse assunto ao longo do ano nas discussões dentro da sua comunidade e em tudo que houver interação.

Scot Consultoria: O que seria uma “holding familiar”? Por que precisamos usar esse termo em inglês? Quais suas vantagens e desvantagens?

Daniel Pagotto: Na verdade nós até utilizamos o termo de forma errática não é mesmo? Mas, acho que usamos esse termo por ser bonito. Tem muita gente que vai à nossa empresa dizendo “olha, eu queria abrir a Holding” e tudo mais, até sem entender. Na prática, é a criação de uma pessoa jurídica com o intuito de proteger o patrimônio e ajudar na criação de regras, minimizando uma série de problemas e potenciais situações desagradáveis no futuro, inclusive de tributos em um momento de doação e/ou da falta de alguém. Além disso, é importante para regrar melhor a sociedade familiar, de uma maneira um pouco mais formal.

Scot Consultoria: Como é a alíquota de impostos de doação? É muita?

Daniel Pagotto: É muito alta e varia de estado pra estado. Há um exemplo de um cliente que, se ele fosse doar da maneira que estava a propriedade, um patrimônio de mais de R$200,0 milhões em fazendas registrado em pessoa física, ele gastaria R$8,0 milhões na doação.

Scot Consultoria: De imposto?

Daniel Pagotto: Sim, de imposto de doação, ou, se no caso ele viesse a “faltar”, seria o mesmo tributo. Entretanto, com a estruturação de uma “holding” e adotando todas as medidas legais, o custo dessa operação foi de menos de R$250,0 mil. Estamos falando de uma diferença de R$8,0 milhões para R$250,0 mil. Mas é claro que cada caso é um caso.

Scot Consultoria: Do ponto de vista jurídico, isto é legal?

Daniel Pagotto: Está 100% dentro da lei, óbvio. O problema está nas informalidades do “agronegócio”, com essa questão das fazendas estarem no nome da pessoa física por várias gerações e as linhas de crédito do setor para pessoas físicas serem muito mais fáceis. Por que minha empresa e a Scot Consultoria são uma pessoa jurídica, por exemplo, e uma fazenda e toda a produção precisam estar em pessoa física? Isso está enraizado culturalmente e nunca foi mudado. Entretanto, atualmente, com os valores vigentes das terras, buscamos uma visão muito mais empresarial pra tratar deste negócio, claro que sem criar muita regra que acabe amarrando a atividade, mas sim pra ser mais eficiente e ganhar dinheiro e não deixar 4%, 6% ou 8% do seu patrimônio numa doação morte. Este ano, por exemplo, em Mato Grosso, a lei de doação passará de 4% pra 8%. Imagine você “entregando” 8% do seu patrimônio?

*Artigo publicado no site da SCOT Consultoria.